25 anos sem Burle Marx

Montamos um roteiro de passeios bem brasilienses para você ver de perto alguns trabalhos do homem que criou mais de 2500 jardins públicos e privados mundo afora

Fotos: Joana França

A Praça dos Cristais tem um espelho d’água com formato orgânico – com carpas! – pequenas ilhas de concreto, muitas palmeiras e um endereço silencioso e pouco visitado

Se você cultiva uma folhagem em casa, agradeça a Roberto Burle Marx. Foi ele que mostrou ao mundo a beleza das plantas tropicais, com muito verde e nem tantas flores assim. O amor que ele nutria pelas plantas brasileiras fez com que organizasse as Expedições Burle Marx – viagens para locais ainda pouco conhecidos do Brasil com o objetivo específico de conhecer a flora nativa. A aventura rendeu frutos: ele descobriu 35 espécies que ainda não haviam sido catalogadas. Batizou todas com um divertido epíteto em latim, como manda a norma botânica: burle-marxii

No mês em que se completam 25 anos de sua morte, Roberto Burle Marx ganha inúmeras homenagens. Curiosamente, a mais grandiosa delas não acontece em solo tropical. O Jardim Botânico de Nova York acaba de abrir a maior mostra temporária de sua história para celebrar a obra do paisagista. Brasilian Modern: The Living Art Of Roberto Burle Marx recebe visitantes até 29 de setembro de 2019. 

LEIA TAMBÉM: Entre paletas e pincéis

Por aqui também há boas novas. Vem do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, a notícia de que o Sítio Roberto Burle Marx, em Barra de Guaratiba, RJ, é forte candidato a se tornar Patrimônio Mundial da Unesco. A avaliação acontecerá durante a reunião do Comitê do Patrimônio Mundial, em meados de 2020. 

Em Brasília, Burle Marx projetou o paisagismo do Eixo Monumental e os jardins do Palácio do Itamaraty, do Palácio da Justiça, do Teatro Nacional e do Tribunal de Contas da União. Fora do circuito cívico, ainda é possível reconhecer o trabalho do artista no conjunto da Quadra-Modelo 308 Sul e na Praça dos Cristais, localizada no Setor Militar. Todos integram o Plano Piloto, que é tombado pelo Iphan e tem o título de Patrimônio Mundial da Unesco. 

A Praça dos Cristais, pérola escondida no Setor Militar, revela o estilo particular do artista em toda a sua plenitude. Experimente um pôr-de-sol ali
Figuras geométricas e o equilíbrio entre espaços verdes e áreas de convivência são marcantes no projeto do Parque da Cidade
A SQS 308, quadra-modelo de Lucio Costa, tem espelho d’água, caminho por dentro da área molhada e nichos de papiro, três recursos paisagísticos populares na obra do artista
Vista área da Torre de TV mostra o jardim com as fontes d’água e toda a grandiosidade do Eixo Monumental
A contorcionista de Alfredo Ceschiatti integra a paisagem do foyer do Teatro Nacional Claudio Santoro, com jardim interno criado por Burle Marx. É a obra mais díficil de apreciar nesse roteiro, visto que o teatro segue sem previsão de reabertura pelo Governo do Distrito Federal
No terraço do Palácio do Itamaraty, o jardim de Burle Marx é o espaço nobre para recepcionar Chefes de Estado em visitas oficiais ao Brasil. Agende uma visita guiada e aprecie o mix de palmeiras e folhagens que emolduram as diversas esculturas presentes no espaço
Com suas quedas d’água em diferentes alturas, o Palácio da Justiça ganhou jardim à altura da arquitetura de Oscar Niemeyer
Planejado em diferentes patamares, o jardim do Tribunal de Contas da União é um dos exemplares mais bem conservados do trabalho de Burle Marx na cidade

5 Comments

  1. Como foi que morei tanto tempo em Brasília e não conheci esses encantos que você nos mostra com tanta sensibilidade e competência. Parabéns pela reportagem tão linda.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *